Eu estou revigorada. Eu me sinto revigorada. Agora entendo tudo aquilo que falava antes, até dá para sentir o gosto dessa náusea bendita. É nojento. Me disseram que isso não dói nada, disseram até que isso faz um bem danado, foi ele quem disse, recuso contrariar. Fico aqui, compartilhando o barulho de meus chinelos comigo mesma. Nada em mim está de acordo comigo. A dor é inútil, lastimável, triste. E sempre, sempre, sempre falta alguma coisa, nunca acharei que a vida é bastante, sobra sempre desejos úmidos por um palco desértico. E Nessa droga de vida é preciso jogar fora certas coisas. É preciso jogá-las fora, você não poder ter tudo aquilo que quer. Por que? Porque não pode! Simples assim. Não pode e pronto. Sem frustrações, ok?
Só hoje aprendi que não se poder fugir, não se pode fugir de nada disso, não dá. Não há substância que sufoque. Não há libertação. E nem adianta devorar-me aos poucos, nada disso adianta. Deixe o sossego entrar, o som de minha queda já se perdeu. Deixe o sossego entrar, imparcial, sob minha alma, sob meus pés, sob as estrelas do céu que brilham comigo. Não tenha pena, pouco a pouco os dias passam por mim, arrancam essa angústia, o malmequer inútil, e matam-me nobremente, sem saudar a morte.
Envolvera a saudade, o cansaço do passado morto. Não tenho mais nada a oferecer, não trago nada. Nada tenho a encontrar pelo caminho. Nada. Um nada que dói, não sei. Sou a loucura dispersa no vidro pintado, no absurdo. Não sei por onde ir, mal sei conduzir meus passos nesse abismo que há entre pensar e sentir. Com o passar dos anos acabei com as qualidades que, na verdade, já tinha. E todas as oportunidades que tive, todas as pessoas que pude ser, foram reduzindo-se a uma única, ao que sou, e é isso que sou: Eu e só.
Será que o fluído abstrato da náusea encharcou-me a alma? Tudo isso faz um cansaço. Sinta-me em silêncio e em segredo, pois agora a noite extática arranca o frescor de um afago esquecido. Apanha-me as diferenças perturbadoras que procuramos em vão. Rasgue suas vestes de incertezas, já tenho incertezas demais a acompanhar-me. Tudo isso que dói, tudo isso que repulsa no espírito, tudo isso que vejo, piso, é exatamente isso que enxergo e mais nada. É tudo o que sinto, é tudo o que sei e não quero saber mais, tudo o que não mais interessa. Afinal, toda manhã é a mesma, sempre no mesmo lugar. Tudo tende para um mesmo ponto nu, cheio de contradições. É tudo o mesmo, tudo fede igual, as paredes desta sala são iguais E nenhuma sombra ou luz é diferente, não havia nem janelas, muito menos vidros embaçados. É o que é, só isso, e um desejo de não pensar em nada. Deixe-me aqui quieta, nesse universo barato que sou.
25/06/2006 às 4:39 pm |
isso tem cara de textos by patty.
mas não tenho certeza. x]
de qualquer maneira, é lindo.
e eu queria ter tempo de ler todos eles!
te amo.
aparece, tá?
;@~
25/06/2006 às 8:45 pm |
E todas as oportunidades que tive, todas as pessoas que pude ser, foram reduzindo-se a uma única, ao que sou, e é isso que sou: Eu e só.
Nossa, Patty, fuck you!
Muuuuito lindo!
Amei o texto!
Sem noção!
=***********
30/06/2006 às 1:28 pm |
Você acredita que até hoje não pegou lafayette blues?